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Aproveite esse maravilhoso texto e fique em paz.

sábado, 31 de março de 2012

Camões Lírico

Camões é considerado o maior poeta lírico português.
A poesia lírica de Camões apresenta-se marcada por uma dualidade

Voltas

"Posto o pensamento nele, 
Porque a tudo o amor obriga,
Cantava, mas a cantiga
Eram suspiros por ele.
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando,
Às amigas perguntando:
-Vistes lá o meu amor?"


sexta-feira, 30 de março de 2012

Luis Vaz de Camões

      A vida de Camões ainda permanece pontilhada de dúvidas. Admite-se como a data mais provável de seu nascimento o ano de 1524. Era filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá de Macedo, e descendente de uma família de fidalgos decadentes. Teria frequentado por algum tempo a Universidade de Coimbra. Serviu como militar no norte da África, onde em combate perdeu o olho direito. Morre na miséria em 10 de junho de 1580.


domingo, 25 de março de 2012

Cantigas de maldizer

   As cantigas de maldizer são sátiras diretas, ou seja, o nome da pessoa a quem era endereçada era revelado.
    Classificada como cantiga de maldizer, diz-se que esta cantiga foi a resposta a uma senhora que reclamou não ter sido louvada pelo autor.
    Aproveitem o texto:

"Ai dona fea! Foste-vos queixar
porque vos nunca  lou'en meu trobar
mais ora quero fazer un cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!

Ai dona fea! Se Deus mi perdon
e pois havedes tan gran coraçon
que vos eu loe en esta razon,
vos quero loar toda via;
e vedes qual será a loaçon;
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
en meu trobar, pero mui trobei;
mais ora já un bon cantar farei
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

(João Garcia de Guilhade)

Vocabulário

  • ora = agora;
  • toda via = sempre;
  • sandia = louca;
  • pero = todavia

terça-feira, 20 de março de 2012

As cantigas satíricas

As cantigas satíricas utilizavam, como temas, os costumes clericais, a covardia, a decadência de alguns nobres, os vilãos (habitantes das vilas medievais) e o adultério das damas.
Cantigas de escárnio: sátiras indiretas, palavras ambíguas, expressões irônicas. No entanto, não revelavam o nome da pessoa a quem a cantiga era endereçada.

"Don Foão, que eu sei que é a preço de livão
vedes que fez en guerra - daquesto soo certão:
soi que viu os genetes, come boi que fer tavão,
sacudiu-se e revolveu-se, al-
çou rab e foi sa via a Portugal.

Don Foão, que eu sei que á preço de ligeiro,
vedes que fez en a guerra- daquesto sou verdadeiro:
sol que viu os genetes, come bezerro tenreiro,
sacudiu-se e revolveu-se, al-
çou rab e foi sa via a Portugal.

Don Foão, que eu sei que é á prez de liveldade,
vedes que fez en a guerra- daquesto sou verdadeiro:
sol que viu os genetes, come can que sal de grade,
sacudiu-se e revolveu-se, al-
çou rab e foi sa via a Portugal."

(D. Afonso Mendes de Besteiros)

Vocabulário

  • D. Foão = Don Fulano;
  • á preço de livão = que tem fama de covarde;
  • vedes que fez en guerra = vede o que faz na guerra;
  • daquesto soo certão = disto estou certo;
  • sol que viu os genetes = logo que viu os cavaleiros mouros;
  • come boi que fer tavão = como boi aferroado por um moscão;
  • al-çou rab e foi sa via a Portugal = levantou o rabo e fugiu para Portugal
  • á preço de ligeiro = tem fama de leviano;
  • daquesto sou verdadeiro = disto estou certo;
  • come bezerro tenreiro = como um bezerro novo;
  • á prez d liveldade = tem fama de medroso, leviano;
  • come can que sal de grade = como cão que sai da prisão, corrente.




domingo, 18 de março de 2012

Queixa (Caetano Veloso)

    Hoje trouxe para vocês uma canção de Caetano Veloso de 1982, onde vemos traços de cantigas de amor. Vale a pena ver e ouvir. 




Referência: VELOSO, Caetano. In: Cores, nomes. LP Polygram nº 6328381, 1982. L.1,f 1.) 

sábado, 17 de março de 2012

Cantigas de amigo

       As cantigas de amigo têm raízes nas tradições da própria península ibérica, em suas festas rurais e populares, em sua música e dança, nos quais se encontram profusão vestígios da cultura árabe.
            Além da mulher que sofre, é comum aparecerem outros personagens que servem de confidente à mulher sofredora.

"Vaiamos, irmã, vaiamos dormir
nas ribas do lago, u eu andar vi
a las aves meu amigo.

Vaiamos, irmã, vaiamos folgar 
nas ribas do lago, u eu andar vi
a las aves meu amigo.

Nas ribas do lago, u eu andar vi
seu arco na mão as aves ferir
a las aves meu amigo.

Nas ribas do lago, u eu andar
seu arco na mão a las aves tirar
a las aves meu amigo.

Seu arco na mão as aves ferir 
a las que cantavan leixá-las guarir
a las aves meu amigo.

Seu arco na mão a las aves tirar 
a las que cantavan non nas quer matar
a las aves meu amigo."

(Fernando Esguio)


Vocabulário

vaiamos= vamos
ribas= margens
u (hu)= onde, quando
folgar= descansar
tirar= atirar
leixá-las= deixá-las
guarir= viver



sexta-feira, 16 de março de 2012

Cantigas de amor

      As cantigas de amor têm origem na Provença, região do sul da França, no período compreendido entre os séculos XI e XII. Ali, desenvolveu-se a arte dos trovadores e o amor cortês que tanto influenciou as cantigas de amor em Portugal.
       D.Dinis (o rei trovador) foi o mais famoso trovador de Portugal. Foi excelente poeta, tendo registradas 76 cantigas de amor, 52 de amigo e 10 de maldizer.
      O ambiente das cantigas de amor é sempre o palácio, com o trovador declarando seu amor por uma dama. O eu-lírico é sempre masculino. Aliás só homens escreviam cantigas, pelo menos em Portugal. 
      Não divulgando o nome da mulher amada, proibida para ele, o trovador, além de proteger a honra da amada, impregnava esse amor de um prestígio quase religioso.

"Un tal ome sei eu, ai ben-talhada,
que por vós ten a sa morte chegada;
vedes quen é seed ' en nembrada:
eu, mia dona.

Un tal ome sei eu que preto sente
de si morte chegada certamente;
vedes quen é e venha-vos em mente:
eu, mia dona.

Un tal ome sei eu: aquest ' oide:
que por vós morr' e vo-lo en partide;
vedes quen é e no xe vos obride:
eu, mia dona."

(D.Dinis)

Vocabulário

  • ome= homem;
  • ben-talhada= bem-feita, formosa;
  • seed'en nembrada= não vos esqueçais, lembrai-vos
  • preto= perto
  • venha-vos em mente= tende em mente, lembrai-vos;
  • aquest'oide= ouvi isto;
  • vo-lo en partide= vós o deixais partir, afastar-se;
  • non xe vos obride= não vos esqueçais dele


quinta-feira, 15 de março de 2012

Dia da Poesia

Ontem dia 14 de março comemoramos o dia da poesia, este dia foi criado em homenagem à data de nascimento do poeta brasileiro Castro Alves e para homenageá-lo duplamente  trouxe hoje um de seus belos trabalhos para que vocês se deleitem e apreciem as palavras deste maravilhoso poeta.



AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
Castro Alves

Retirado de http://pensador.uol.com.br/poemas_de_castro_alves/

domingo, 11 de março de 2012

Trovadorismo

       A literatura portuguesa contou com duas fases ou duas épocas distintas. Na 1ª época medieval, também chamada de Trovadorismo e na 2ª época medieval chamada de Humanismo. O Trovadorismo é o período que se estende de 1189 (ou 1198) data provável da Canção da Ribeirinha.      
         
Canção da Ribeirinha

(Esta cantiga teria sido inspirada por Dona Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, mulher muito cobiçada que se tornou amante de D. Sancho, o segundo rei de Portugal)

"No mundo non me sei parelha, 
mentre me for como me vai,
ca ja moiro por vós - e ai
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mao dia me levantei, 
que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, des aquei di, ai!
me foi a mi muin mal, 
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha 
d' aver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d' alfaia
nunca de vós ouve nem ei
valia d' uma correa."

Traduzindo

" No mundo ninguém se assemelha a mim
enquanto a minha vida continuar como vai
porque morro por vós, e ai
minha senhora de pele alva e faces rosadas 
quereis que vos retrate (descreva)
quando vos vi sem manto (saia = roupa íntima; desnuda)
Maldito dia! me levantei
que não vos vi  feia! (ou seja, a viu mais bela!)

E, minha senhora, desde aquele dia, ai
tudo me foi muito mal
e vós, filha de don Pai
Moniz, e bem vos parece 
de ter eu por vós guarvaia (guarvaia = roupa luxuosa)
pois eu, minha senhora, como mimo (ou prova de amor) 
nunca de vós tive nem terei
algo, mesmo que sem valor. (correa = coisa sem valor)

                                                                              

sábado, 10 de março de 2012

Para refletir no fim de semana




"Uma coisa é escrever como poeta, outro como historiador: o poeta pode contar ou cantar coisas não como foram, mas como deveriam ter sido, enquanto o historiador deve relatá-las não como deveriam ter sido mas como foram, sem acrescentar ou subtrair da verdade o que quer que seja."

Miguel de Cervantes, escritor espanhol,1547-1616


sexta-feira, 9 de março de 2012

Vieira da Silva

   Ontem coloquei o poema do autor português Vieira da Silva. Hoje trago a biografia dele para que vocês o conheçam melhor e apreciem suas obras.





Data nascimento: 11 de Julho de 1946 (no antigo Hospital de Ílhavo)
Natural da Freguesia de S. Salvador, Concelho de Ílhavo.
Filho de João Adamastor da Silva e de Maria Adelaide da Rocha Vieira.
Instrução Primária em Ílhavo (Escola Ferreira Gordo)
Liceu em Aveiro (no então Liceu Nacional de Aveiro, hoje Escola Secundária José 
Estêvão).
Médico (licenciado pela Faculdade de Medicina de Coimbra)


OBRA PUBLICADA:
Livro “Marginal (poemas breves e cantigas)” – Edição MC, colecção Poemas e cantigas 
Nov. 2002
Primeiros versos publicados no jornal “Farol” do Liceu Nacional de Aveiro (hoje 
Escola Secundária José Estêvão), jornal do qual foi director no ano lectivo 1963/64
Publicação dos primeiros versos no jornal “O Ilhavense” em Fevereiro 1962
Publicação na página “Madrugada”, dirigida pelo poeta aveirense João Barge, de outros 
poemas no jornal “Lutador” em Janeiro de 1965
Em Abril e Julho de 1965 – poemas publicados por Mário Castrim (com notas críticas) 
no suplemento “Diário de Lisboa-Juvenil” 
Poemas publicados na revista “Capa e Batina” (Coimbra) em 1967 com introdução do 
poeta João Barge.
Poemas publicados na “Gazeta do Centro”, na página “Confluência”, em Abril de 1968.



quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher



Nos momentos de incerteza
quando apetece fugir 
e desistir da viagem.

Quando me canso de tudo
me sento à beira da estrada
e adormeço a coragem.

São os teus gestos
mulher
que me chamam para vida.

E sinto de novo a fúria
de desenhar um país.